Antes que seja tarde...

"Roquerio de hoje em dia não tem mais aqueles cabelos volumosos da década de 80. A cara de mau também foi aposentada. Agora, eles escondem os olhos pintados com lápis atrás de franjas caídas no rosto, usa colares de bolinhas, carrega mochilinhas e veste roupas com quadriculadinhos. Isso mesmo. Tudo no diminutivo. Quando encontram sua turma, eles se abraçam e se beijam - seja meninos com menina, meninos com meninos, meninas com meninas ou todo mundo mundo junto. Não raro, choram."

Esse parágrafo genial foi retirado da Veja São Paulo do dia 16 de agosto. Creio que essa matéria superou até a "como ser um indie" da Folhateen e o "manual para se tornar uma pessoa descolada", do Estado de S. Paulo. É interessante ver como o jornalismo brasileiro se preocupa, cada vez mais, com temas e reportagens importantíssimas.

Como iludir inúteis

Estamos, hoje em dia, vivendo um momento de boom do Documentário. O ponto inicial disso foi o filme Tiros em Columbine, de Michael Moore. Após ele, começaram a valorizar, de fato, o filme documental que, até então, andava um pouco esquecido. Essa situação também deu impluso a novos diretores que, começaram a ser financiados pelos grandes estúdios mundiais. Além disso, há cada vez mais cursos voltados para essa era mais segmentada no cinema. Aqui mesmo, em São Paulo, há um curso voltado para esse tipo de filme, que dura dois anos!! Por fim, mostras como É Tudo Verdade atraem, cada vez mais, um grande público.

Bom, pode-se verificar esse fator olhando para as páginas dos jornais. Se nos anos 90 havia pouquíssimos documentários em cartaz, olhando para a progamação de cinemas hoje, há, exatamente, oito filmes documentais em cartaz, o que é, basicamente, filme pra cacete!!!!!

Um desses filmes é o bacanoso Bolívia: Histórias de uma Crise.

O documentário trata do candidato à presidência do país, Gonzalo Sanchez de Lozada, o Goni, que por ter baixos índices de intenção de voto para o pleito de 2002, contrata uma empresa americana de marketing político. Esse “produto político”, mais conhecido como democracia, é vendido como se vende qualquer bem de consumo. É verificado o que o eleitor quer, o jeito que ele quer e aí...pimba! O político “se torna” exatamente a solução para todos os problemas quando, na verdade, ele já havia presidido o país antes, com resultados catastróficos e diversas acusações de corrupção. De qualquer maneira, a nova imagem, resulta numa subida nas pesquisas e, depois, sua eleição. Pronto! Goni acaba aí, pois, após sua vitória, o presidente simplesmente esquece tudo o que havia prometido e deixa o país se afundar em uma crise sem tamanho.

 

O mais interessante é ver como o povo boliviano, que está atrás de mudanças, do fim da corrupção e de novos empregos (alguém já ouviu isso antes?), acaba votando num candidato que já foi presidente antes e que, em seu mandato, não cumprira aquilo que havia prometido. O candidato da oposição (o atual presidente Evo Morales) reflete muito mais os anseios do povo, mas com toda essa manipulação imposta sobre a pobre e inculta população boliviana, majoritariamente idígena, fica difícil concorrer. 

 

O título original do documentário reflete bem mais sobre o que ele se trata: “Our brand is in crisis”. É um filme necessário para todos aqueles que fazem marketing ou que lidam com ele de alguma maneira indireta, ou seja, todo mundo. Um fato interessante, é que esse grupo que prestou consultoria à Lozada, já prestou seus serviços a políticos daqui do Brasil também! Alguém chuta qual???

Fidel com um agasalho da Adidas?? Bacana, bacana

 

 

Música para comemorar: Eat your heart out - Minutes Too Far !!!!! Sensacional!

É quase impossível que uma banda, por melhor que ela seja, não tenha músicas ruins. O Wilco tem, o Móveis Coloniais tem, o Weezer tem e até, quem diria, o Oasis tem. Aliás, o Oasis tem muitas delas, quer ver?? Top Five com as cinco piores músicas do Oasis:

1 - Shakermaker

2 - Go let it out!

3 - Who feels love?

4 - A queek peep

5 -.....tá, o Oasis não tem 5 músicas ruins....seria muito, né??

Mas, bom. Na minha opinião existe uma, e somente uma, banda que não tem simplesmente NENHUMA música ruim! É o Sunday Drivers. A banda é espanhola mas só canta em inglês, com fortes influências das bandas de Manchester. Os domingueiros são bem famosos em seu país natal e, atualmente, estão trabalhando no terceiro cd.

Os dois primeiros, Sunday Drivers e Little Heart Attack são impecáveis!!! Do começo ao fim! Aliás, com essa modinha emo, se você escreve Sunday Drivers no google, o primeiro site que aparece está escrito: "grupo de tendências emo-pop"...hahaha!!!

Mas, voltando, os cds são realmente fantásticos. Apesar de a banda provavelmente nunca chegar no Brasil, vale a pena procurar! Quem sabe já comprovou o poder desses disquinhos. Agora, há pouco tempo atrás, eles tocaram no festival Benicassim ao lado do Morissey, Franz Ferdinand, essas coisinhas...

Bom, mas tá jogado o desafio! Duvido alguém falar uma banda que não tem simplesmente nenhuma, mas NENHUMA mesmo, música ruim!!

 

 

VMB 2006

Pô, sinceramente, achei bem boas as indicações para o VMB 2006. Tirando as indicações para melhor videoclipe internacional que é completamente patética e da nova e desnecessária categoria "melhor videoclipe ao vivo", acho que todas foram de bom senso. Na verdade, eu só não sei quem diz que Nação Zumbi é rock, Skank é pop e Los Hermanos é MPB. Esses rótulos são bem desnecessários, mas, também, não tem muito o que fazer, né....

Sei lá.....mais tarde novidades....  

Um livro....

Feras de Lugar Nenhum é o primeiro livro do jovem escritor nigeriano Uzodinma Iweala. Apesar da literatura africana não ser muito conhecida fora do continente, a África já produziu quatro prêmios Nobel. Aliás, além da literatura, poucas pessoas sabem, mas a maior indústria de filmes não está em Hollywood ou na Índia e, sim, na própria Nigéria. Os filmes são prduzidos com um custo baixíssimo e revendidos em feiras etc. a preços igualmente baixos. O que acontece é que (assim como ocorre em Bollywood) os filmes raramente são exportados. O mais interessante é que não há NENHUMA sala de cinema no país. O que possibilita toda essa produção (praticamente o dobro da americana) é o modo pelo qual as periferias se apropriam do o avanço tecnológico para produzir, distribuir e assistir suas próprias narrativas visuais, que conseguem abranger um número bem maior de pessoas.

Bom, mas voltando ao livro, a história trata de um garoto, Agu. A paz da aldeia em que vive com seus pais e sua irmã é rompida com a chegada de uma milícia liderada por um homem louco e cruel, bem característico dos filmes com temática africana, como o Senhor das Armas, por exemplo. Sozinho, afastado de sua família, Agu é obrigado a matar para não morrer ao ser recrutado como o mais novo soldado do grupo, presenciando os horrores de um conflito que não compreende. Aliás, como diz na própria "orelha" do livro, os países africanos têm a "seu favor" uma história atribulada à grandes tragédias e guerras entre milícias.  
Feras de Lugar Nenhum, trata de seres humanos que são reduzidos a seus aspectos mais primitivos, tornando-se “feras” que promovem a violência e a morte. A inocência de um adolescente vai sendo encoberta por assassinatos, estupros, saques e toda sorte de atos criminosos que sofre e que executa. Tornou-se um soldado e cumpre o seu dever, mas ainda se lembra dos ensinamentos da mãe e fica confuso: como pode agora matar sem vomitar ou desmaiar como nas primeiras vezes e continuar temendo a Deus e querendo ser um bom menino? Obivamente que essa "feras" são facilmente identificáveis com os meninos dos morros de todo o Brasil, como o documentário Falcão, ou Cidade de Deus tão bem exploraram.

Bom ,tá dada a dica! Livro pesadíssimo, mas que não se pode ignorar, por levar a um mundo de guerrilhas que poucas pessoas acreditam ainda estar acontecendo nesse continente esquecido pela globalização.


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