Jornal da Tarde - 01/09/2006
"Ser fã de Los Hermanos é fazer curso de história, antropologia ou ciências sociais. É vestir sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e usar óculos de aro grosso. É se sentir sozinho no mundo até encontrar seus pares nos shows do grupo. É gostar de circo, malabaristas, mímicos e palhaços das esquinas de São Paulo. É dar o nome do filho de Chico, Tainá ou Bento. É curtir a noite de sexta-feira indo ao show do Seu Jorge ou da Orquestra Imperial, beber cerveja, passar mal no banheiro e chegar em casa deprê quando o sol raiar"
Sei lá, primeiro de tudo, eu espero, do fundo do coração, que esse não seja um texto sério. Espero que esse texto não faz parte daqueles "Como ser indie" ou do "manual para se tornar descolado" e seja apenas uma brincadeirinha do jornalista....
De qualquer jeito, essa visão de um fã do Los Hermanos (por mais caricata que for) está looooooonge de ser verdadeira hoje em dia. Esse perfil poderia ser visto nos shows da turnê do Bloco ou no começo da do Ventura, mas hoje isso é quase impossível. Será que esse jornalista sabe que o Los Hermanos vai ser a grande atração do concurso de bandas da ESPM?? Será que ele sabe que a banda faz shows em lugares como o DirecTV Music Hall (ou sei lá como chama agora), Credicard Hall, Via Funchal etc. (sempre com lotação esgotada) e não mais no Blen Blen? Será que existem tantos estudantes de história assim? Acho que não....
Todo esse mérito (????????????????????????????????) é da própria banda que não mudou em nada o tipo de som que faz e foi conquistando novos fãs pouco a pouco, sem clipes fantásticos, sem MTV Ao Vivo, sem grande divulgação na mídia etc.
O problema é que era muuuuito mais legal ir nos shows do Hermanos quando eles não tinham toda essa fama. Havia sempre as mesmas pessoas, essas sim, fãs devotas. Agora o bacana é gostar de Los Hermanos porque é uma banda diferente. Sensível e sei lá mais o que. O show da banda se tornou mais ou menos isso:
1 - Fãs de moda: Óbvio que Los Hermanos não é moda tipo o pagode, mas se você quer se achar alternativo e bacanão, vai lá num show deles. Noooossa, quanta sensibilidade, né!! Dá pra perceber esse tipo de fã quando a pessoa comprou primeiro o Ventura e depois veio a conhecer o Bloco....tsc, tsc!
2 - Fanfarrões: São aqueles que vão no show fazer um social, porque Los Hermanos é bacana. Ué? É, né!? Eles são amigos da Maria Rita e tal. Tava no jornal. Daí no meio do show ficam ou procurando as gatinhas pseudo-sensíveis ou ficam no celular contando vantagem por estar nesse showzão.
3 - Master Fanfarrões: São aqueles que estão lá mas, no fundo, nem sabem porquê. Acabaram lá porque um amigo viu e falou que é legal ou por qualquer outro motivo estilo maria vai com as outras. Daí, no meio do show começam a gritar "Ana Júlia" porque sabem que a banda não toca essa música. Ha ha ha! Malandros, né!! Mas agora, senhores fanfarrões, cuidado que os Hermanos voltaram a tocá-la!!
As músicas são boas? São! Cansa ouvir 484 vezes a mesma música?? Nããão! O que cansa é esse bando de retardados cantando junto.....pena!
Só estou esperando pelo show da ESPM.....
É difícil achar vida util nas revistas brasileiras de cultura ou entretenimento. Há aquelas de grande distribuição que são boas, como a Bravo! e aquelas de distribuição ridícula e que quase nunca são encontradas, como a Teorema. O resto é lixão!! Aliás, grande distribuição o cacete! Segundo o próprio site da Abril, são vendidos, mensalmente, apenas 11.000 exemplares da Bravo!. Ridículo. Aliás, a falta de cultura do brasileiro pode ser vista nessas estatísticas também. A Veja, que é a revista de maior circulação e tiragem do país atinge apenas 1 milhão de pessoas!! nada, nada!! mas, bom, o assunto não é esse.
O assunto é que, de vez enquando, a vida inteligente aparece nas bancas. Muitas vezes, por um pequeno período, afinal ninguém compra, daí nenhuma empresa faz publicidade e a revista vai pro brejo. A revista boa da vez é a Paisá, revista de Cinema, Cultura e Comportamento (segundo a própria) mas, principlamente cinema. Não aquele cinema que a SET ou a Revista do Cinema aborda, mas o cinema bom de verdade. Por enquando as capas foram (em ordem cronológica): Marcas da Violência (o filme), Ingmar Bergman, Cinema Francês e, agora, Alejandro Agresti, diretor de Valentin. Quer mais ou tá bom??
Além das tradicionais críticas, há matérias bem interessantes sobre cinemas, cineclubes, diretores etc. Aliás, somente na ultima edição houve uma matéria desnecessária sobre o João do Rock, mas isso passa.
Bom, a questão é que não se pode deixar mais uma revista boa morrer. Vai lá, compre seu exemplar!! Tem em todas as bancas (por enquanto).
Só uma coisinha....
Alguém aí por acaso já ouviu uma banda chamada Milburn??????
Nossa....
Fotos de quem sabe....


A questão que não quer calar é: Quem é o fanfarrão (e sortudo) à esquerda????
Mais uma coisinha....
Tava pensando aqui. Já existiu, na MTV, algum programa mais idiota que esse Chapa Coco???
Bota pra fudêêêêê!!!
A década de 80, que está totalmente em moda hoje em dia, foi a época mais importante do rock brasileiro. Era tipo o funk, ou pagode ou sei lá o que todo mundo escuta agora. Foi quando começaram a nascer as rádios de rock (que hoje mal existem). Aliás, é foda isso. Como é que pode não existir simplesmente nenhuma rádio rock nas duas grandes capitais do país. Calma, eu sei que tem a Kiss, mas não é a mesma coisa. A Kiss não espera ter uma puta audiência, tem uma programação diferenciada e tal. O que eu quero dizer é que como é possível que uma rádio não consegue ser mainstream tocando apenas o bom rock ´n´ roll???
Bom, isso é outra história. O ponto principal é que, nos anos 80, surgiram as primeiras grandes bandas de rock nacional. Legião Urbana, Titãs, Paralamas, Kid Abelha e mais uma porrada delas. Obviamente (daquelas que não acabaram) algumas foram esquecidas ou quase esquecidas. Isso aconteceu um pouco com o Ultraje a Rigor e com o....Camisa de Vênus!! Banda fodidona, dona de hits como Eu Não Matei Joanna D´arc, Simca Chambord, Sííííílvia, Bete Morreu, entre muuuuitos outros. Foi infuência total para as bandas de rock dos anos 90 como Raimundos e tal...Letras geniais, irônicos e muito mais interessante que muitas bandinhas que estão até hoje enchendo o saco! Aliás, uma curiosidade: O Camisa de Venus foi expulso da gravadora Som Livre após o primeiro disco por que não quis mudar seu nome, que a gravadora considerava "difícil" de ser divulgado.
O que pega é que (talvez pela 13ª vez) eles estão voltando! Fizeram um show "sold out" no Sesc Pompéia há algum tempinho e acabam de lançar um DVD de um show realizado no Festival de Salvador. Apesar do festival ser meio zuadão e o pessoal de lá estar mais interessado na Ivete, Carrapicho, Axé Blond e sei lá mais o que, eles estavam em sua cidade natal e Marcelo Nova, apesar de meio velhaco, estava cantando bem. O registro ficou....de fudê!!

Curta que Curta?
Todo grande diretor que se preze começa sua carreira fazendo curta-metragens. Muitas vezes para aprender com os erros, desenvolver a carreira etc. São poucos os que se especializam em curtas por opção. Como consequencia, os resultados, muitas vezes, são irregulares. Ou, como se pode ver na mostra de Curtas que ocorre em São Paulo, muuuuito irregulares. Tive oportunidade de conferir 2 sessões (ou 10 curtas) e achei quase tudo horrível. Exceto duas produções venezuelanas e (com muita bondade), uma produção brasileira, todos os filmes foram quase insuportáveis. O problema é que mesmo quando a produção é boa, acho difícil que 15 minutos de cinema possam mudar a vida de alguém, principalmente quando os filmes são rodados em sequencia.
Sou um grande defensor dos curtas antes das sessões "normais" de cinema. Seria uma forma de promover diretores iniciantes, divulgar os curtas (que são raramente encontrados) e gerar o interesse de uma platéia que não está lá para aquilo. Essa iniciativa ocorria em algumas salas como o Espaço Unibanco, mas parou faz algum tempo.
Na verdade, são poucos os curtas imperdíveis, fodíssimos e inesquecíveis. Talvez o melhor deles seja Ilha das Flores, de Jorge Furtado, mas, mesmo na coleção de curtas da Casa de Cinema de Porto Alegre há produções asquerosas.
É o seguinte: O curta-metragem, por melhor que seja, raramente consegue gerar um grande impacto. É muito rápido, sei lá. É a ejaculação precoce cinematográfica!! Não é?!
Obrigado Por Filmar
De vez em quando os grandes estúdios de Hollywood produzem bons filmes. Isso, independente das "bandeiras independentes" como a Sony Classics, por exemplo. No caso, quem mandou bem foi a Fox, com o filme Obrigado por Fumar, baseado no livro homônimo de Christopher Buckley. A (breve) história é a seguinte: Nick é um porta-voz principal das grandes empresas de cigarros e ganha a vida defendendo os direitos dos fumantes contra tudo e contra todos. Nick é desafiado por um senador oportunista interpretado por William H. Macy. Aliás, Macy faz parte de um seleto grupo de atores, como Christopher Walken, que está em "todos os filmes", sempre discreto, mas sempre exepcional. Desde seu primeiro papel importante, em Fargo, até quando é a "grande estrela", como no fodíssimo Focus.
Nick tenta, de qualquer maneira, fazer com que o cigarro volte a conquistar o status que tinha na década de 40: "Hoje em dia só os Europeus e psicopatas fumam". Para mudar essa história, busca a ajuda de um agente de Hollywood completamente exêntrico. Aliás, o jardineiro japonês fazendo o seu trabalho no escritório desse agente é um dos detalhes mais geniais do filme. Sei lá, a história é mais ou menos essa. Além disso, Nick tem tempo para "ensinar" o seu filho e cair na malícia de uma jornalista interesseira.
Mas o legal é ver como um sujeito de caráter duvidoso consegue ganhar a simpatia de todos. Quando perguntam se ele não acha que está errado, logo reponde: "Tenho a moral flexível"....interessante. Em uma discussão com o filho, compara seu trabalho com o de um advogado. Será que todos têm direito a defesa?? Será que se você fosse avisado (como advogado) que seu cliente iria cometer um crime, não contaria nada à polícia pois iria contra os princípios da profissão?? Não sei, acho que não sou tão flexível assim....
Bom, é interessante ver essa vida util em Hollywood. Esperto, ágil, politicamente incorretíssimo e cínico pra cacete. Ataca todo mundo: Os políticos, o lobby anti-tabagista, a imprensa, a própria Hollywood. Obrigatório!!!!
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