O Circo e os palhaços
Por acaso, tive a oportunidade de assistir, no mesmo dia, a dois filmes com temáticas similares: O Quarto Poder, de Costa-Gavras e Um Dia de Cão.
O primeiro é um suspense com Dustin Hoffman e John Travolta que, aliás, está genial em seu papel. A história é a seguinte: Sam (Travolta), um ex-guardinha de um museu volta ao local para rever, com sua chefe, os motivos de sua demissão. Enquanto isso, por acaso, Max, um repórter (Dustin) está por ali filmando uma matéria qualquer. Eis que, em um ato, (im)pensado, Sam acaba tirando uma imensa espingarda de sua bolsa e faz todos os visitantes, no caso 20 crianças, de reféns.
Com o tempo, o repórter vai moldando o confuso guarda para que o evento ganhe uma dramaticidade ainda maior e, consequentemente, o jornalista ganhe destaque. Max parece fazer o que bem entende com Sam. Assopra cada frase que o "marginal" deve dizer.
Já Um Dia De Cão, que é baseado em fatos reais, é um clássico com Al Pacino (ainda moleque) que resolve assaltar um banco. Uma série de imprevistos faz com que o "simples" roubo tenha, novamente, uma grande dramaticidade.
Mas o principal ponto em comum entre os filmes é o circo que a imprensa consegue fazer de acordo com os objetivos das emissoras, como audiência etc.. Os grandes diretores não estão nem aí para as consequencias desses atos. O interesasnte é que os reféns sejam soltos na "terça a noite porque a audiência está baixa". Assim, o personagem de Dustin Hoffman vai manipulando o guarda, dirigindo todas suas ações. Do lado de fora, dezenas de jornalistas se matam para conseguir furos de reportagem ou entrevistas exclusivas. Dói ver a cena de uma repórter tentando entrevistar um recém baleado no hospital e saber que isso acontece de verdade. A imprensa parece ter cada vez menos ética, olhando apenas para o próprio umbigo.
Na verdade, essa atitude escrota não está apenas na imprensa. No fantástico mundo da publicidade, o presidente da grande Thompson, por exemplo, defende que A publicidade e a ética não vivem juntas. Então beleza. Com isso, se pode manipular e introduzir idéias, muitas vezes duvidosas, nas cabeças de espectadores que, muitas vezes, são desenformados (principalmente em países de terceiro mundo). Essa manipulação publicitária já chegou, por exemplo, na política. E é isso que mostra o fantástico filme Mera Coincidência.
Estrelado por Robert DeNiro e Dustin Hoffman (Sim, ele de novo), o filme trata das manipulações que um grupo de "artistas" contratados pelo presidente americano (que tentava a reeleição e estava em apuros) tem que bolar para que tudo dê certo. Limites? Pra que? Eles bolam uma absurda guerra entre Americanos e Albaneses, filmam essa guerra em estúdios, criam canções, slogans e heróis. Tudo para que o povo veja como o presidente é um belo homem.
Distante da realidade? Certeza que não.....até por aqui já foi comentado o documentário Bolívia – Histórias de uma Crise, onde um dos candidatos à eleição contrata um grupo de consultores políticos.....
A pergunta é simples. Aonde isso vai parar?
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Eu vi!
Consegui, graças a pirataria, ver o aguardadíssimo (pelo menos por mim) Clerks 2. Ou "O Balconista 2". Ou.... a demorada seqüencia do primeiro filme de Kevin Smith. Um filme fantástico e obrigatório para qualquer um que queira conversar sobre qualquer coisa, mas de uma maneira interessante e mais cartunizada. E um pouco mais sexual.....quer dizer, pervertida.
Após O Balconista, o Sr. Smith (dããã) fez alguns excelentes filmes como Procura-se Amy e Barrados no Shopping, outros médios como Dogma e outros bem ruins, como Menina Dos Olhos. Sim...aquele filmeco com o Ben Afleck.
A História de Clerks 2 não tem nada de especial. A grande diferença é a fotografia (que desta vez é colorida) e o orçamento um pouco maior. Os dois funcionários da antiga Quick Stop (local de fantásticas dançinhas de Jay e Silent Bob) têm que buscar um novo emprego. Nada muito diferente do que faziam antes. Começam a trabalhar como atendentes de fast food.
Mas isso tanto faz. Só é legal ver como Kevin Smith conseguiu se reerguer depois daquela merda (cacete! que filme ruim!) de Menina dos Olhos. Hollywood não é pra ele, filmes nerdões sim!!!!
As piadas sobre racismo, homofobia, quadrinhos e qualquer situação polêmica são geniais e extremamente criativas. As brigas dos dois atendentes sobre que filme é melhor: Star Wars ou O Senhor dos Anéis é histórica. Sem contar a "cena do Jegue". Antológica!
Bom! É isso!! Eu realmente não sei se o filme vai estrear por aqui daqui a pouco ou se vai passar na Mostra....mas uma hora chega! E quando chegar, não perca!!!

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