Crônica – Parte II (A parte I tá lá embaixo)
Meu Pai também me recomendou pegar um táxi. Antes disso, subi de volta ao prédio para observar o que havia sobrado do carro. Para minha grata surpresa, o policial tinha exagerado "só um pouquinho". O carro ainda estava lá, inteirão. O único problema (fiquei sabendo mais tarde) é que ele só poderia ser retirado na manhã seguinte. OK. Três filmes, um dia de multa para cada um. Os tíquetes acabam, mas a vida continua. Ao ir embora, observei que a recomendação de pegar um táxi devia ter sido a mesma de diversos outros pais, maridos e mulheres, pois não havia um mísero veículo no ponto e os que passavam pela Marginal eram disputados a tapa. Apesar de minha casa não ser muito distante do prédio em que trabalho, não havia a menor condição psicológica para eu caminhar até lá. Ou seja, estava com preguiça.
O único meio de transporte que me restou foi o trem. Há alguns anos, quando ainda não dirigia, pegava o trem diariamente. Talvez diariamente seja um exagero, mas peguei o Juquitiba-Osasco no mínimo umas seis vezes. Diferente do que os manos do RZO falam ("pegar o trem é arriscado/trabalhador não tem escolha então enfrenta aquele trem lotado"), pegar o trem era uma experiência até agradável. Tinha musiquinha de fundo, dava para sentar tranqüilamente e observar a beleza do Rio Pinheiros.
Apesar da minhas experiências anteriores, curiosamente, consegui, na fatídica sexta-feira, entender exatamente o que a música do ex-grupo de Negra Li transmitia. Parecia uma canção-homenagem para mim. Só não sabia se me sentia ofendido ou, de fato, homenageado. É difícil explicar a lotação daquele veículo, mas vou tentar descrever o meu aperto: Sabe quando você cola a cara no vidro para fazer uma careta para alguém? Então, eu estava exatamente nessa situação, só que eu não tinha ninguém para entreter do lado de fora. Na verdade um pedaço do meu nariz ficou parcialmente do lado de fora (já que a porta não fechava completamente) o que me permitia, além de tudo, sentir o delicioso odor do rio.
Antes das críticas, devo dizer que esse não é um texto de uma pessoa fresca, nem nada. São apenas fatos. Eu não estava incomodado com minha situação (a não ser por causa de um figura de regata que suava até na orelha), até estava me divertindo, afinal de contas eram 16.00hs de uma sexta-feira, eu estava indo para casa e meu carro estava em todos os telejornais do país.
Continua.....
Crônica – Parte I
Tudo na vida tem seu lado bom. A frase é clássica, um chavão antigo, mas completamente verdadeiro. Dá um banho em qualquer “Rapadura é doce, mas não é mole”, “Tudo que sobe desce” e muitos outros. O grande problema de vivenciar tal chavão é que, invariavelmente, temos que passar por alguma experiência ruim. Além disso, o lado bom só virá mais tarde (talvez bem mais tarde), pois, afinal de contas, se a ordem não fosse essa, a frase se invalidaria, certo?
Tomamos o principal assunto da semana, a cratera da Marginal, como exemplo. Graças (?) à minha localização privilegiada, tive a oportunidade de ver – ao vivo e antes da imprensa – toda a queda da gigantesca estrutura. Desde a desesperada correria dos funcionários da obra, passando pelo momento onde o buraco se tornou um gigantesco ralo para caminhões até...... “Fudeu! Meu carro!”. Apesar de toda a desgraça que o momento transmitia – veja bem, não sabia quantas pessoas haviam sido soterradas – meu carro era minha principal preocupação.
A localização do pequeno brinquedinho – até os caminhões se tornaram brinquedinhos, só que maiores – não era nada animadora. O carro estava a poucos metros da borda do buraco, que, por sua vez, não parava de crescer. Talvez o maior problema não fosse o carro por si só, mas tudo o que estava dentro dele. Não sei se foi porque eu disse “Nããão! Tenho um monte de filmes para devolver!”, mas a partir de um momento meus colegas de trabalho passaram a me olhar estranho.
A partir da chegada da imprensa, a coisa ficou um pouco pior. Descobri que além de colegas de trabalho, as pessoas que estão ao meu redor são extremamente sádicas. Curiosamente, meu chefe era uma delas. Cada vez que meu carro aparecia na televisão – fosse nos helicópteros da Record ou nas imagens exclusivas da Globo – gritavam: “ííí....vai cair no buraco, hein!” ou “Imagina, não cai no buraco, não. O guindaste vai cair em cima”. Apesar de me sentir uma Ponte Preta jogando contra o Corinthians no Pacaembu lotado, eu tinha grandes esperanças. De tanto eu “secar”, aquele buraco tinha que parar de crescer. Só não esperava que eu tivesse que evacuar o prédio. “Relaxa, assim você não vê seu carro sendo destruído”. Obrigado, amigos.
A escada de emergência do grande prédio estava lotada de gente sorridente comentando como foi bom aquele acidente ocorrer em plena sexta-feira ensolarada. Senti-me menos mal por pensar em meu carro. Foi aí que me ocorreu a mais óbvia das idéias: Por que não tentar tirar o maldito carro de lá? Tá, evidente que os policiais não deixariam, mas dizer que “Senhor, seu carro tá nas pedra, sinto muito” talvez tenha sido um exagero do homem de farda. Admito que a primeira coisa que passou na minha cabeça foi que o pessoal dá 2001 ia me matar. Eram três filmes! A segunda foi que meu pai provavelmente ia comentar que estava tudo bem, que ele queria trocar aquele carro velho de qualquer jeito e que era melhor eu sair dali logo. Liguei para ele. “Filho, ta tudo bem. É melhor você sair daí logo”. Achei estranho, tava faltando alguma coisa. “eu queria trocar esse carro velho de qualquer jeito mesmo.”. Pronto, agora sim.
Continua....
A melhor banda dos últimos 6 dias....
Apesar de dividr o título com a banda de rock pscodélico alogana (???!!!) Mopho, o título de mrlhor banda desses últimos dias vai para a simpática Someone Still Loves you Boris Yeltsin. Belo nome, né??
Essa banda americana parece ter bebido bastante da fonte do Elephant 6, principalmente do Beulah. As características "beluhianas", como os leves vocais, estão todas no cd Broom, que foi lançado há algum tempo lá em cima e aqui, pra variar, não será lançado nunca. A não ser que o Lúcio fale alguma coisa.....
Bom, para conhecer a banda melhor, vale a pena tentar escutar a canção What´ll we Do, mas como ela simplesmente não existe nem no You Tube, fiquemos com este singelo clipe:

![]() | |||
|
|||