As patricinhas de Versailles
Uma pergunta vem me intrigando nos últimos dias. "Maria Antoinette", novo filme de Sofia Coppola, é feito para ser levado a sério?? Eu acho que não.
Apesar de ser um filme de época, retratando um momento importantíssimo da história mundial, Coppola (que deve ter levado uma bronca do papai e ficado de castigo, proibida de assistir The OC e de visitar seu primo famoso) parece ter feito um "Patricinhas de Beverly Hills" de época. A futilidade da personagem principal, interpretada pela safadinha Kirsten Durst, chega a ser patética. Fica atrás de jóias, sexo e fuma maconha. Sim, o filme se passa no século XVIII.
Fora isso, a trilha sonora, completamente "modernosa" mostra o quão pretensiosa a diretora é. Para que, em uma cena de dança clássica, colocar uma música do Strokes?? "Ah! Ela está querendo ser diferente". Mas uma coisa é ser diferente, outra é ser gratuita e estúpida. Nossa amiga Sofia precisa lembrar que dirigiu apenas dois filmes que, apesar de ótimos, dão a ela o apenas o status de diretora iniciante. E só.
Outro fato perturbador: Se eu estiver errado alguém me avise, mas acho que o All-Star não estava muito na moda no Século XVIII, né? Pois em "Maria Antoinette" ele está.
A atuação política de Maria Antonieta também foi praticamente deixado de lado. As festas e frustrações com a falta de empenho sexual de seu marido tomaram tempo demais no filme. Quase no final, Coppola deve ter lembrado que precisava colocar algumas coisas importantes e acabou jogando a famosa "frase do brioche", mas sem contexto algum. Nunca a Revolução Francesa foi tão justificável.
O que mais impressiona é que essa diretorazinha de meia tigela teve um arsenal de recursos para realizar a obra. O filme foi realizado dentro do belíssimo Palácio de Versailles, utilizando algumas áreas consideradas proibidas.
Para finalizar, a atuação de Jason Schwartzman no papel de Louis XVI combina exatamente com o filme: é medíocre.
Sei lá....só um desabafo.
Daqui a pouco a parte IV da crônica.....até onde vamos??

Crônica – Parte III (As partes I e II estão lá embaixo)
Ao chegar em casa, consegui compreender o poder do jornalismo sensacionalista. A primeira pergunta que me fizeram foi: "O Prédio da Abril desabou, né? Você conseguiu fugir?" . Pela cara que eu fiz, meu amigo Renato deve ter achado que alguma viga caíra na minha cabeça e, talvez por dó, não me perguntou mais nada.
As horas seguintes foram tranqüilas e curiosas. Quando era mais ou menos 19.00 hs da noite – ou seja, quatro horas depois do ocorrido – minha mãe ligou: "Filho! Você viu o que aconteceu?! Você viu? Você viu? Você viu alguém se machucar? Alguém que você conhece se machucou? Você se machucou?" não respondi nada. Muitas perguntas me confundem a cabeça. "Filho você tá vivo?".
- Gradação. – Respondi
- Que? Filho você tá bem?
- Tô, mas você utilizou uma figura de estilo, a gradação. Sabe, português, gramática. Isso acontece quando são utilizadas algumas idéias em forma cresc....
- PARA DE FALAR BESTEIRA! VOCÊ TÁ BEM????
Eu sempre fazia essas brincadeiras lingüisticas com minha mãe. Adorava identificar alguns eufemismos e nós ríamos juntos, mas dessa vez, por algum motivo, ela não achou muito divertido.
- Tô, mãe, relaxa. Já to em casa faz tempo.
- Ufa.
Passado algum tempo me vi sozinho, sem meu carro (na verdade ele estava comigo a todo momento mas a uma televisão de distância) e sem os filmes que eu já tinha programado para assistir depois do trabalho. Resolvi pegar meu violão. Não, violão não. Vou entrar na internet. As mesmas fotos que eu via em movimento na televisão me desanimaram. Não, internet não. Vou na FNAC. Não, FNAC não. Já fui ontem. E anteontem.
Continua....
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