"Os livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas".

Mario Quintana

 

Tirando da prateleira

Nesse infinito de novas bandas super-hypadas-que-mudarão-o-mundo-em-37 segundos (hoje é a vez do Mika, The View etc.) , é um pouco estranho parar para reescutar alguns grupos que estavam esquecidos em alguma prateleira mental.

O mais recente caso desse incrível fenômeno é o Travis. Uma série de fatores me fez relembrar deles. Primeiro a notícia de um cd novo, assim como um vídeo da futura-música-single Big Chair. Tá....massômeno. Depois, a notícia que eles iriam tocar no Coachella. Convenhamos que com uma escalação fantástica daquelas, o Travis ficaria meio deixado de lado, certo??

O problema vem agora...graças a uma tarde completamente livre, parei para assistir o DVD do show deles gravado em Glasgow.

O primeiro fato é que raramente paro para ver um DVD de show, assim inteirinho. Normalmente, nesse mundo multimídia, divido o que assisto com a internet, revistas, jornais e, até mesmo, músicas. Parar para ver esse fantástico espetáculo gravado na cidade natal da banda foi uma experiência única.

Apesar de parecer uma banda um pouco insignificante, a presença de palco deles é fantástica. Desde a simpatia do vocalista Fran Healy até a "pose" do guitarrista Andy Dunlop, que acha que está na maior banda de rock do mundo. Não, isto não é ruim.

Aliás, você conhece a história do Travis?

O Travis apareceu na metade da década de 90, na cola de bandas como Oasis, Stereophonics, Supergrass etc. Apesar de seu primeiro álbum, Good Feeling, ter feito relativo sucesso no Reino Unido, a fama só veio de verdade no segundo cd, The Man Who, com a música Why Does It Always Rains On Me, lembra??

O cd seguinte da banda, The Invisible Band, trouxe as bonitinhas Sing, Side e a bonitona Flowers in the Window. Apesar de a banda não ter grande apelo radiofônico nem ser um fenômeno de público, os garotos estavam bastante felizes.

Isso até o baterista da banda, Neil Primrose quase morrer ao bater com a cabeça no fundo de uma piscina. A coisa foi realmente séria e a banda quase acabou.

Apesar do susto, o baterista acabou conseguindo se recuperar e, em 2005 lançaram o bobinho 12 Memories. O cd, mais fraco de toda a discografia da banda, fez com que o Travis desaparecesse de vez, principalmente com a chegada das novas bandas britânicas. Aliás, alguém lembra de 2005?

Voltando ao que tentava dizer antes dessa interrupção "histórica", o DVD é uma verdadeira ode à banda. O grande público se mostra completamente nas mãos da banda que, aproveitando desta moleza, põe todo mundo para cantar alto.

A música que me fez resgatar de vez o grupo foi Turn, antes escondida no The Man Who. Além da canção ser "naturalmente" ótima, é nela que o baixista narigudo Dougie Payne põe sua voz para fora. Nada muito fenomenal, mas há alguma coisa inexplicável.

O resultado de tudo isso é que, agora, o Travis se tornou uma das bandas mais esperadas do Coachella.

A única pergunta é: Será que os americanos também acham isso ou o show será completamente...guardado na prateleira??

Você! Sim, você mesmo que perdeu a mostra do Cassavetes, não perca o único filme desta retrospectiva que entrou em cartaz, Uma Mulher Sob Influência. Este filme é, na minha opinião, uma das maiores obras da história do cinema.

Como já disse algumas vezes por aqui, Cassavetes é um diretor americano diferenciado. Ele foi o grande "criador" do cinema alternativo americano e é influência para qualquer diretor que deseja fazer algo mais inteligente. Cassavetes usava o dinheiro que ganhava como ator (um de seus principais papéis foi em O Bebê de Rosemary) para financiar seus filmes de maneira completamente independente e autoral. Os atores eram todos seus amigos e o papel feminino era (quase) sempre de Gena Rowlands, sua esposa.

Esses filmes, que parecem ser um completo improviso de diálogos e estilo de câmera representam a verdadeira realidade no cinema. Tudo o que parece ser improvisado era, na verdade, bastante ensaiado e Cassavetes os "moldava" na edição.

Infelizmente, o primeiro filme dele não entrará em cartaz, mas é incrível a ousadia de Cassavetes em realizar um filme como Sombras em plena metade do século passado. Aqui vemos o racismo ser tratado de uma maneira completamente diferenciada e com extrema sutileza.

Bom, voltando para Uma Mulher Sob Influência, basta dizer que o filme foi considerado a melhor obra feita sobre uma mulher por um homem. Tá bom ou quer mais? A atuação de Gena Rowlands no papel principal é simplesmente incrível. É raro ver uma atriz estar tão incorporada em seu papel, principalmente se tratando de uma personagem extremamente complexa.

Sei lá, eu sei que estou falando demais do Cassavetes ultimamente, mas, assistir um filme deste mestre, é algo completamente diferente de tudo que vemos hoje em dia. Além disso, NÃO EXISTEM FILMES DE CASSAVETES NO BRASIL. Sério! Por favor, assista!

E, prometo, chega dele.

Quem comprou, comprou....quem não:

Ano que vem tem mais....

PS: Era para ter acabado antes, né?! Só um pouquinho antes...

 

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