Bah! Afudê!

Algumas coisas são óbvias e não adianta discutir. O futebol não é apenas um jogo. Não digo isso apenas por ser um dos milhões que assistem a Copa do Mundo, dos milhares que assistem o campeonato Brasileiro, das centenas que assistem a esses jogos e ficas ansiosos para ler o Lance! do dia seguinte ou um dos pouco a assistir ao campeonato italiano, francês, argentino, alemão, paulista, gaúcho, libertadores, e, principalmente, inglês e que ainda lê a Folha, o Lance!, fora os diários esportivos da internet. Puts! Isso sem falar da Champions League, a melhor de todas.

De qualquer maneira, acima das estúpidas brigas de torcida (mas que são mais divertidas entre os argentinos) a paixão pelo futebol é algo que transcende muitos valores e crenças.

Que avó de namorada poderia ter uma missa de sétimo dia bem durante um Palmeiras X Corinthians (fato verídico, né?).

Dentro do cinema, o futebol não é muuuito explorado. Primeiro pelo fato dos americanos e, consequentemente, Hollywood preferirem o futebol onde o objetivo é chutar a bola (que aliás, nem redonda é) por cima da trave (?!) ou ainda sair correndo com ela na mão (?!) e, se chegar do outro lado, ganha 6 pontos?! Puta viagem... Mas, voltando ao cinema, há alguns belos filmes sobre o tema. O primeiro que me veio à cabeça foi Boleiros, de Ugo Giorgette, exelente crônica sobre os bastidores do futebol. Fora isso, há vários documentários sobre este ou aquele jogador, como Pelé Eterno e Garrincha.

Pelo mundo afora, os países que mais trazem produções cinematográficas sobre futebol são Inglaterra e Alemanha. Na verdade, as produções inglesas preferem deixar o jogo de lado e tratar dos hooligans e os alemães fazem coisas do tipo Milagre de Berna, mas...

Bom, tudo isso é porque tive o prazer de assistir ao documentário "Inacreditável - A batalha dos aflitos". Não, Aflitos não é um campo de batalha nem nada disso. A história é a seguinte: Em 2004, o todo glorioso Grêmio de Porto Alegre jogou a série B do Campeonato Brasileiro. Apesar da campanha irregular, o time acabou se classificando para a fase final. Nela, quatro times (Náutico, Portuguesa, Santa Cruz e Grêmio) disputavam as duas vagas de acesso para a série A.

A situação na rodada final era incrível. Todos os times tinham chance de se classificar e os jogos eram: Náutico X Grêmio, no estádio dos aflitos (Recife) e Santa Cruz x Portuguesa, também no Recife.

Já antecipando, o Santa acabou ganhando da Lusinha e se classificou, mas isso é o que menos importa. Nos aflitos, o Grêmio jogava por um empate. Ao 39 minutos do segundo tempo, o Grêmio já estava com um jogador a menos e já havia sido roubado com um pênalti inexistente que o juiz marcou para o Náutico, mas que o jogador do time pernambucano acabou chutando pra fora. Eis que o palhação (também conhecido como juiz) marca outra penalidade para o time alvi-rubro. Dessa vez, não é que o penalti foi inexistente, mas, pra se ter uma idéia, nem um cego retardado americano marcaria.

Depois de uma imensa confusão e uma paralização de mais de 10 minutos (com direito à invasão policial), mais 3 jogadores do Grêmio foram expulsos (ou seja 7 jogadores x 11) e a penalidade máxima iria ser batida de qualquer jeito. Fim do sonho?? Não! O goleiro do grêmio agarra a cobrança!!!! Já seria incrível se no contra-ataque, o jogador Anderson (de apenas 17 anos) não driblasse metade do time do Náutico e fizesse um dos gols mais fantásticos de toda história do tricolor gaúcho.

O documentário que, se mostrasse apenas o jogo já seria genial, ainda é recheado de declarações interessantes de gremistas como Humberto Guessinger e Jorge Furtado contando o sofrimento durante o jogo.

Filme obrigatório para todo mundo que gosta de futebol e para aquelas pessoas chatas que acham que assistir Wigan x Middlesbrough é inútil ou que nem sabem o que que é isso!

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